À medida que envelhecemos, ficamos mais chatos com algumas coisas. Minha mania é o som. Embora eu tenha melhorado meu paladar sonoro, a sociedade parece caminhar na direção contráriajogo fortune tiger paga mesmo, buscando voluntariamente o som de pior qualidade.
Quando levanta-se o tema sonoridade, quase sempre limita-se a discutir gêneros musicais supostamente melhores e piores. Mas a discussão é mais complexa. Pode-se ouvir música da qual não se gosta com qualidade, assim como é possível ouvir música clássica ou jazz nos piores suportes.
É até possível apontar um inimigo principal: o celular. Este aparelho de tela maravilhosamente rica é quase sempre lamentável no aspecto sonoro. Pois as ondas sonoras precisam de espaço para reverberar, algo que, pela sua própria construção, o celular não pode oferecer.
Há ainda o fato de que a cultura digital privilegiou democratizar o som a aumentar a qualidade que já tínhamos antes dos smartphones.

Antes do celular, o MP3 foi uma revolução da qual participei entusiasticamente. Troquei meus discos e CDs pela mobilidade do MP3 no fim dos anos 1990. Maravilhado, ouvi coisas que nunca ouviria se não fosse por essa maravilha da internet ladra.
Depois veio o bluetooth, essa outra ambígua maravilha que se popularizou nos nos anos 2000 e trouxe a maior portabilidade que já tivemos desde o advento do walkman em fins dos anos 1970.
jogos do tigreApesar de toda a revolução que MP3 e bluetooth representaram para a democratização e mobilidade da música, a qualidade caiu. Nossos ouvidos se acostumaram a um som médio, sem camadas, uma maçaroca que distorce todas as ricas possibilidades da música em sons comprimidos e cansativos. E não importa de qual gênero musical estamos falando, todos padecem desses limites, pois seu suporte de difusão tornou-se o mesmo.
Há ainda a questão da arquitetura em voga atualmente, que quase sempre despreza o som. Os mais abastados de hoje preferem casas "clean", muito brancas com paredes lisas e frias, pisos gelados de mármore, móveis de vidro e objetos de metal. Tudo isso é péssimo para o som. Poucos são os que hoje ainda têm piso de taco (madeira é sempre bom para o som), tapetes que ajudam a conter os graves que viajam próximos ao solo, estantes com livros e cortinas pesadas, que ajudam a conter os excessos sônicos, garantindo uma equalização natural para o ambiente.
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E, para coroar, há as indefectíveis caixinhas de som portáteis. Elas juntam tudo que há de pior em nossa escuta musical. Nelas escutamos MP3 transmitido via streaming ou bluetooth em mono. É um completo passo atrás na escuta musical.
Desde os anos 1960 vínhamos desenvolvendo uma série de tecnologias que foram melhorando nossa escuta. Sistema de alta fidelidade (os hi-fi) e o som estereo foram inovações de uma época em que a indústria apostava também na qualidade sonora. No início dos anos 2000, os DVDs players ainda apostaram nos home-theater 5.1 como experiência de qualidade sonora. Foi o canto do cisne do som nas casas brasileiras.
Hoje em dia, quando se visita casas das classes média e alta, vê-se uma televisão enorme, mas quase nunca um som à altura da TV. Curioso paradoxo, dos anos 1960 para cá a TV melhorou profundamente a qualidade da imagem. Cores, VGA, telas planas, HDMI, 4K, 8K, LCD, Oled, Amoled e tantos outros formatos que surgem a cada dia prometem imagens com cada vez mais imersividade. Mas, em relação ao som, fomos empobrecendo.
Para os cinéfilos, a Netflix promete o áudio espacial 5.1 no plano premium. O Tidal é um serviço de streaming de música que oferece áudio sem perdas, ao contrário do Spotify ou Deezer, por exemplo. Mas a maioria das pessoas simplesmente não quer isso. E por que deveriam quando as TVs de hoje, a caixa do celular e o bluetooth não têm a qualidade sonora compatível?
Se a regressão que vivemos no campo sonoro fosse vivida no campo da imagem, estaríamos cutucando celulares de telas em preto e branco e com os fantasmas das primeiras TVs. Tornamo-nos cada vez mais uma cultura da visualidade e cada vez menos do som. Não precisava ser assim.
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